terça-feira, 8 de janeiro de 2013

MAIS UM DIA QUENTE NO RIO DE JANEIRO

   
     

     Olá, caros amigos, uma excelente tarde de terça-feira a todos. Hoje, escrevo meu primeiro texto de 2013 despretensiosamente.A primeira sensação do dia- e que não posso deixar de mencionar- é esse calor incomensurável que faz neste Rio de Janeiro.Calor que só deve deixar felizes a LIGHT e CEDAE, porque haja banho e ventiladores e aparelhos de ar-condicionado para amenizar essa sensação térmica! 
     Outro ano recomeça, mas muita coisa permanece, entre elas as contas.Como brotam... Não tenho filhos, mas só de olhar as reportagens sobre "lista de material escolar", sinto arrepios. São as contas de água, luz, telefone fixo, gás, celular, IPTU, IPVA, TV por assinatura, cartão de crédito...A modernidade e o conforto têm seu preço.Nossos antepassados não gastavam tanto... Não tinham tantas contas para pagar.mas fazer o quê, né? Hoje ainda tive que ligar para uma editora no intuito de cancelar uma assinatura de revista. Pasmem: preparei-me, psicologicamente, por cerca de uma semana para isso.Já repararam que toda vez que você quer cancelar algo é um transtorno? Sabia que encontraria resistência e seria bombardeada por "tentadores" motivos que só tinham um objetivo: demover-me da ideia de cancelar a assinatura. A atendente ofereceu-me cafeteira, coleção de caçarolas, preços mais baixos para continuar recebendo a revista...Acho que demorei quase meia-hora, tentando fazer com que ela entendesse que eu simplesmente não queria mais. Mas pensemos positivamente: podia ter sido bem pior. A ligação nem caiu...
         Naqueles cansativos momentos me dei conta de que, hoje em dia, você demora mais tempo para convencer um atendente de que não quer um determinado serviço do que convencer seu namorado de que não quer mais nada com ele . No primeiro caso, você diz que não quer, o atendente quer saber o porquê, você justifica e nunca é o suficiente.Até que você cansa e diz que não quer e pronto e é essa a justificativa, mas existem funcionários que não aceitam e ficam abusando do 1% da paciência que nos resta.
     Por conta disso tudo, preparei-me bem para o embate e não me deixei seduzir pelas inúmeras e tentadoras propostas; também não me irritei nem por um instante- até sorri, vejam só que progresso- e, consegui: ela desistiu!!! Cancelei a assinatura!Um bom começo para 2013, não é?!Assim, já posso dormir sossegada e usar  esse dinheiro para completar aquilo que realmente é prioridade em tempos de calor nesta minha querida cidade maravilhosa: a, cada vez mais alta, conta de luz, que  há algum tempo vem com a tão "fofinha"(eca!) contribuição para a iluminação pública. Bem, estou transpirando à beça em frente ao computador, mas isso tem um lado bom:Não estou retendo líquido! Oba!
    Beijinhos e até breve!!!

sábado, 5 de janeiro de 2013

QUEM FAZ O BEM, ALEGRIA TEM -EM FEEDBACK MAGAZINE


Havia mais de trinta anos que não visitava aquele lugar tão aconchegante e posso afirmar que foi uma experiência muito especial que levarei para toda a minha vida. Ir a São Lourenço em novembro deste ano forneceu-me a possibilidade de não só viajar novamente para uma cidade iluminada como também de explorar o canto mais remoto das minhas memórias.

A última vez que fui a São Lourenço, possuía cerca de três anos e estava acompanhada pelos meus pais, minhas duas tias, minha avó D. Ladymar, minhas primas e um primo que não vejo há muitos anos. Desses primeiros que mencionei, só minha mãe e minhas primas seguem comigo, os demais já não mais habitam este mundo e, por isso mesmo, essa viagem acabou se tornando um passeio dentro de mim mesma, pois deparei-me com um pedaço meu que estava tão distante, mas ao mesmo tempo ainda estava lá. Por cada canto que eu passava, parte do meu passado ia surgindo, por vezes de forma delicada, por outras, colocando-me frente a frente com os meus fantasmas adormecidos.

Viajei de ônibus por cerca de seis horas na companhia da minha amiga Cris, de sua mãe e de sua sobrinha em uma caravana promovida pelo Geffa que levou brinquedos, mantimentos, remédio e acalento a algumas creches e asilos do local. Nunca havia participado de um evento desses no qual o motorista do caminhão, os motoristas dos três ônibus e os caravaneiros estavam envolvidos num bem comum. O impressionante é que as pessoas das casas assistenciais esperavam por nós: as crianças com suas apresentações e mesa com deliciosos quitutes mineiros, e os idosos com seu olhar emocionado em instituições que também nos recebiam com deliciosos pães de queijo, bolos e doces da maravilhosa culinária mineira.

A caravana do Geffa chega em São Lourenço.
A caravana do Geffa chega em São Lourenço.

Como esquecer dos olhos das crianças brilhando de satisfação à espera dos brinquedos embrulhados com tanto cuidado e esmero e que apresentavam o nome de cada uma delas? Como esquecer das senhoras recebendo, felizes, colares e pulseiras e se sentindo mais bonitas, mais cuidadas? Como não se lembrar das lágrimas que escorriam de emoção tanto dos caravaneiros quanto dos demais? Perguntei-me quantas histórias não estariam ali por detrás daquelas peles enrugadas, que percurso aquelas pessoas teriam feito para que hoje estivessem ali? E assim, acabei me lembrando do meu avô, da minha avó por parte de mãe; lembrei-me também do meu pai.

Depois de tantas lembranças que me apertavam o peito, as lágrimas saíram como lavas de um vulcão há séculos adormecido. A emoção foi muito forte, mas o sorriso de uma senhora comoveu-me: ela pegou a minha mão e beijou-a. Por um instante, refleti e percebi a grandiosidade daquele momento. Enxuguei as lágrimas e sorri de volta. Eu estava em paz, pois aquele sorriso sossegara o meu coração.

Foram tantas as cenas lindas e comoventes. Aquela das pessoas passando as caixas com remédios e mantimentos de mão em mão a partir do caminhão até a mesa de cada instituição num trabalho de “formiguinha”… Bem que a mídia podia dar mais espaço para a divulgação dessas ações de caridade, solidariedade e amor que se espalham por esse Brasil.

Inesquecível...
Inesquecível…

Ah! Não posso esquecer também de aplaudir a fantástica e emocionante apresentação de Anatasha Meckenna e Allan Vilches com suas vozes angelicais. Senti uma energia tão pura e elevada durante todo o espetáculo enquanto cantavam acompanhados do público que estava ali para o XVII Encontro Espírita das Águas do Sul de Minas. E a palestra de Célia Diniz Rodrigues sobre Chico Xavier… Voltei transformada. Encontrei-me comigo mesma naquela viagem. A menina, que cercada de santos de gesso prontos para serem maravilhosamente restaurados ou produzidos pelo seu avô que sempre tinha encomendas para a “Casa Baptista”, em Madureira, se encontrou com a Ana Cristina de hoje para, juntas, trilharem o caminho que seguirão por toda a vida.

Um grande amigo meu, Gláucio Albuquerque, já dizia que tudo que passamos na vida de bom ou ruim fica dentro da gente e uma hora aparece. Sim, ele tinha razão. Andar pelo Parque das Águas e conhecer todas aquelas pessoas, em São Lourenço, fez com que eu repensasse muitas atitudes minhas e de outras pessoas neste mundo. Às vezes reclamamos de tanta bobagem, hesitamos tanto, deixamos de fazer coisas por preguiça, por medo… Vemos inimigos externos que, muitas vezes, ou são frutos da nossa imaginação ou, na verdade, são projeções de assuntos mal resolvidos, simplesmente pelo fato de termos de nos mostrar uma fortaleza o tempo todo.

Tirei essa foto durante a viagem, tudo a ver.
Tirei essa foto durante a viagem, tudo a ver.

Amemos mais. Olhemos mais a nossa volta e veremos quanta coisa há para fazer. Agradeçamos pela comida no prato, pela água que bebemos sem esforço. Agradeçamos pela nossa saúde e por todos aqueles que passaram pelas nossas vidas, nos fazendo rir ou chorar, porque, seja como for, eles nos ajudaram a crescer. Esqueçamos as mágoas, os preconceitos, a vaidade e o orgulho sem sentido. Oremos mais, agradeçamos mais, peçamos menos. Ergamos a nossa cabeça, não para nos sentirmos superiores, mas para que consigamos notar a força interior que cada um de nós possui e que, aliada a outras tantas forças, pode fazer deste mundo um lugar mais justo e mais digno para todos. Não pequemos pela omissão; não provoquemos lágrimas alheias. Façamos alguém feliz com gestos simples e assim nos façamos felizes, pois a verdadeira felicidade não está nos bens acumulados na Terra, mas no bem que propagarmos por toda parte através do amor e da caridade independentemente de credo ou religião.

Só tenho a agradecer a Deus, a minha amiga Cris, aos meus familiares e ao Geffa por esses momentos e pela minha volta a São Lourenço. E assim, agradecendo por este ano que chegou ao fim, escrevo meu último texto do ano de 2012 e desejo a todos um ano de 2013 repleto de muita luz e de muito amor! Namastê!
Texto escrito para Feedback Magazine e publicado em 5 de janeiro.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

FELIZ ANO NOVO, ADEUS ANO VELHO

 
 Queridos amigos, mais um ano termina e só tenho a agradecer a todos os que me prestigiaram acessando este blog ou lendo e comentando os textos publicados na revista Feedback Megazine.Agradeço também a Fernando Henriques e a Rodrigo Cotton  pela oportunidade. Estou muito feliz pelo fato de leitores do mundo inteiro terem acessado este blog ao longo deste ano de 2012 e espero continuar tendo o privilégio de ter todos vocês,  meus amigos leitores, me acompanhando  em 2013.Tenho certeza de que o ano de 2013 será um ano muito especial.
   Desejo a todos um excelente Ano Novo!!! Que o ano de 2013 traga muita saúde, paz, amor, alegria e grandes realizações; que haja mais solidariedade e caridade entre os homens e que possamos com pouco ou com muito contribuir para um mundo realmente melhor. Melhor não para poucas dúzias de seres vivos, mas para milhares de seres.Que protejamos os nossos irmãos de todas as raças, credos e espécies; não esqueçamos da nossa flora nem da nossa fauna; não esqueçamos do ar que respiramos, da água que bebemos e de todos aqueles que mesmo distantes dos olhos dependem de alguma forma das nossas pequenas atitudes diárias.
   Muita luz, muita  harmonia e muita paz a todos!!!
   Obrigada, Deus!!!
   Feliz 2013 a todos!!!!




O INFERNO DE TROMPOWSKI


30
“Era um, era dois, era cem…” seres humanos em frangalhos, com pele escurecida pela sujeira, esqueléticos, transitando desgovernados, alguns entre os carros, outros amontoados sobre pilhas de lixo e embaixo de barracas improvisadas fumando pedras de crack. Fim do mundo? Apocalipse zumbi? Parecia cena de filme mesmo e, por alguns minutos, pensei estar numa versão de The Walking Dead em 3D.

Amigos leitores, como há pedras no meio do caminho que liga a Av. Brasil à Ilha do Governador… Pedras de descaso, pedras de abandono, pedras que quebram, pedras de crack. Mulheres sem vaidade com shorts imundos e minúsculos, barriga de fora, muitas grávidas, menores, jovens e adultos sem dentes. Se o inferno de Dante Alighieri fosse escrito no século XXI, a cena que vi estaria incluída em um dos seus nove círculos de sofrimento.

Assistindo apreensiva a isso tudo, neste trânsito constantemente parado da saída da Ilha, constato que a pedra no caminho, meus caros, já não é mais tão poética como na época de Drummond. Há uma pedra no meio do caminho de todos nós. Pedra que destrói, ceifa vidas, gera vidas sem família e sem perspectiva, assusta o restante da população, pois, até então, o que os olhos não viam, não sentiam. E, assim, vou me perguntando, enquanto o trânsito permanece parado: como é possível que seres humanos estejam em condições animalescas, entre fezes e imundície, entregando seu corpo e sua alma para saciar essa louca e voraz vontade de fumar uma pedra? Que pedra é essa que só precisa de dez segundos para fazer efeito, efeito que dura de três a dez minutos e que destrói pessoas de forma tão grotesca, fazendo cidadãos se comportarem como bichos, sem dignidade, sem noção de moral? Cidadãos que se transformaram num perigo para si e para os outros.

Também constato com indignação a irresponsabilidade da prefeitura da cidade, quando observando aquele quadro apocalíptico cogitou pagar uma bolsa-auxílio de R$900,00 para as famílias de menores usuários de crack que se comprometam a acolhê-los e a tratá-los? Hein?! Como assim? Qual será o valor do salário-mínimo que será pago ao trabalhador em 2013 mesmo? Ah… o valor estimado é de R$674,95. Gente, isso é mesmo vida real? Pois tenho uma sensação forte de “Hora do Pesadelo”. Mas também que atitude poderia ser esperada num lugar em que se derrubam escolas, casas, velódromo, autódromo sem nenhuma preocupação moral ou financeira? Que cogitam a construção de um campo de golf na Reserva de Marapendi, no mesmo ano que sediam a Rio +20? Por que me espantar? A única certeza que tenho, por enquanto, é de que o Sambódromo será o único a escapar. Engraçado… não sei de onde sai tanta certeza. Aliás, quando chego em casa e me dizem: Você não sabe o que deu na TV? Já vou logo perguntando: o que o governo vai demolir dessa vez?

Ainda no trânsito parado, um nome surge: zirrê, também conhecida como craconha ou criptonita. Mistura de crack com maconha que deixa o indivíduo super estimulado e sem noção de tempo, essa droga ressurge, depois de 15 anos, na mídia, e está sendo comercializada numa espécie de “combo”.

Ai, que saudade do tempo em que kryptonita e combos faziam parte do universo do cinema…

A Prefeitura do Rio tenta fazer algo pela situação, mas não tem sido muito eficaz.
A Prefeitura do Rio tenta fazer algo pela situação, mas não tem sido muito eficaz.

O trânsito flui, respiro fundo com uma sensação que transita entre alívio e preocupação. Naquele momento, a imundície daquele vasto pátio e aqueles homens e mulheres que fumavam com voracidade e comportavam-se como zumbis tinham ficado para trás, mas a crueldade de uma omissão política conveniente, meus caros, zurze o povo de uma nação para sempre.
TEXTO  DE MINHA AUTORIA PUBLICADO NA REVISTA FEEDBACK MAGAZINE NO DIA 29 DE NOVEMBRO DE 2012. PARA MAIS DETALHES ACESSAR O SITE DA REVISTA.